Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Como eu, ao ver "Sacanas sem Lei" do Tarantino, descobri que afinal não sou um homem a sério

É muito triste chegar aos 53 anos e constatar, no escurinho de uma sala de cinema do Arrábida Shopping, que afinal não sou um homem a sério.

Esta dura constatação ocorreu enquanto via o super-mega-hiper-rifixe “Inglourious Basterds” (acho mais piada ao título original, com a média de um erro ortográfico por palavra, do que à tradução portuguesa “Sacanas sem Lei”), do Tarantino.

Como é sabido e consabido, no cinema um homem a sério nem chora nem sequer fecha os olhos para se poupar a ver as cenas mais horripilantes.

Ora devo confessar que fechei os olhos sempre que alguém do bando do fabuloso tenente Aldo Raine (Brad Pitt) retirava o escalpe a um soldado nazi -  e voltei a fazê-lo na cena final em que o referido tenente desenha, com a sua faca de mato, a cruz suástica na testa do terrível coronel nazi Hans Landa (o fabuloso Christoph Waltz, a quem o Óscar não pode escapar).

E o grave é que tenho antecedentes. Quando reflecti sobre estes cobardes fechar de olhos, lembrei-me que, em 1983, apesar de já ser um marmanjão com 27 anos, fiquei de tal maneira enternecido com o lento definhar da Emma (Debra Winger), em “Laços de Ternura” que chorei (sozinho) em plena sessão da tarde na sala do S. João, que na altura ainda era cinema e pertencia à família do Pinto da Costa (que posteriormente o transaccionou com Santana Lopes e passou para propriedade do Estado português contra o pagamento de um milhão de contos).

O filme “Laços de Ternura” entusiasmou-me tanto que fiquei com uma paixoneta platónica (que ainda mantenho, mas em lume muito brando) pela Debra Winger e desde então para cá olho sempre de lado para o Jeff Daniels (que fazia de Flap, o marido que traiu a boa da Emma).

música: Mighty Queen, Manfred Man
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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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19 comentários:
De Margarida a 16 de Setembro de 2009 às 19:50
Pois é muitíssimo homem, sim senhor!
É assim mesmo!
Ser impressionável pelos bons motivos e sensível pelas melhores razões.
Tenho a dizer que está quase com dois metros de altura na minha consideração.
... a menos que o texto seja irónico - não me admirava nada - e eu não tivesse percebido - ainda me admiraria menos -...
Aí... ai!
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:13
Preclara Margarida

Os facto relatados neste "post" são 100% veridicos (ao contrário do cinema, que é ficção) o que pode demonstrar que também sou capaz de ter alguma sensibilidade (há quem chame a isso lamechice, mas eu prefiro que me chamem sensível do que lamechas)apesar de não ser fã de poesia.

A única ironia (voluntária...) que eu meti no texto foi a de criticar o velho cânone do "homem a sério".

A bem da Nação!
De Sun Iou Miou a 16 de Setembro de 2009 às 22:12
Vejo que concordamos nalgumas opiniões sobre o filme. Também escrevi sobre ele no seu dia:
aqui (http://istononeuncabare.blogspot.com/2009/09/arrincando-cabeleiras-e-outras.html)

E a tradução do título também não gostei, mais pior (pode-se fazer pior!) é em espanhol (acho que ainda não se estreou cá, mas eu vi em Portugal).

Vou ter de ver essa dos Laços de Ternura.
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:24
Preclara Miou

O Laços de Ternura deve ser (não o voltei a ver) um filme muito datado, uma espécie de Love Story para os anos 80.

Visto hoje, provavelmente o melhor é a side story da relação entre a Shirley Mclane (que faz de mãe da Debra Winger) e o engatatão do vizinho Jack Nicholson.

Ver filmes em Espanha deve ser pior que cuspir na sopa e ter de a comer a seguir. Não suporto ver filmes dobrados.

Ou o link não estava bem, ou eu sou nabo (ou ambas as coisas). A preclara Miou diga pf o dia em que escreveu sobre o filme que assim é mais fácil eu ir lá.

A bem da Nação!

PS. Estamos de acordo: pior é sempre possível
De Sun Iou Miou a 19 de Setembro de 2009 às 08:58
Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Arrincando cabeleiras e outras graciñas

Nem é preciso que vá lá, Jorge, e depois às vezes (pronto, quase sempre) escrevo de maneira que não se percebe nada do que digo. E esse texto está em galego. Só de quando em quando arrisco a escrever em português coxo. Mas gostei muito do filme (a minha estreia com o Tarantino) e surpreendeu-me porque não sou nada afecta as salpicaduras de sangue no ecrã.

E a respeito da dobragem, confesso: sou tradutora e trabalho principalmente para estúdios de dobragem, mas reconheço (e eu não ficaria sem trabalho, hihihi, dado que continuaria a traduzir para a legendagem) que os filmes, por muito bem dobrados que estiverem (imagine, um como este, em que se falam quatro ou cinco línguas, agora não me lembra bem), sempre perdem. Por isso, e dado que de qualquer maneira tenho de percorrer muitos quilómetros para chegar a uma sala de cinema, prefiro achegar-me a Viana (se há alguma coisa de jeito, o que é raro) ou incluso ao Porto, antes que a Vigo.

Os títulos, é curioso, mas normalmente decide-os não o tradutor, mas alguém das altas esferas que nem viu o filme na maioria das vezes.
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 09:36
Preclara Miou

Isso dos intervalos é pior que o Deus me livre. Já declarei aqui guerra aos intervalos e iniciei um boicote pessoal às salas da Warner Lusomundo - que são as que os praticam.

As melhores salas de Portugal são as 20 do UCI Arrábida, no Porto. É lá que eu vou - e em Lisboa às da UCI El Corte Ingles. Ponto final.

Curioso que tenhamos coincidido na temática do fechar os olhos - mas a preclara Miou consegui tê-los mais abertos do que eu. Ganda mulher!

O Tarantino merece que veja o Pulp Fiction.

Pelas maçãs siamesas vi que não são golden - provavelmente são Gala Royal.

Também não gosto muito de ketchup, mas nada me move contra o tomate - um sumo de tomate temperado (o da foto?) parece-me adequado pela manhã, a seguir a uma noite longa e agitada.

a BEM AD nAÇÃO!
De Sun Iou Miou a 19 de Setembro de 2009 às 12:15
Agora que o diz, é provável que sejam Gala Royal, mas nunca pensei nisso, porque realmente o sabor delas não tem nada a ver com as que se compram por aí, garanto-lho. Aliás, são das minhas preferidas, menos acedas que o resto, mas mesmo assim, com um leve toquezito: divinais!

Nunca estive nos cinemas do Arrábida. Vou pensar nisso da próxima vez que vá ao Porto (pronto, isso é em Gaia já, não?).
De Sun Iou Miou a 19 de Setembro de 2009 às 12:19
Ah, e também eu não tenho nada contra o tomate, ao contrário. É só de ketchup que não gosto. O da foto é mesmo sumo de tomate, hmmmm! (sem necessidade de noite agitada prévia).
De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2009 às 15:13
Preclara Miou

Presumo que adiciona molho inglês, pimenta e umas pedrinhas de gelo...

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2009 às 15:11
Preclara Miou

Assim que vir um filme no Arrábida (sim, é em Gaia, logo na primeira saida, mesmo no fim da ponte, para quem vem do Norte) vai-me ficar agradecida para todo o sempre - e não vai querer outra coisa :-)

A bem da Nação!
De neli a 16 de Setembro de 2009 às 23:18
Jorge,

Chorar faz bem para a alma! Welcome to the club!

E já agora, após ler teu post, tenho certeza de que não quero assistir "Sacanas sem Lei".

Quanto a "Laços de Ternura", foi um dos filmes mais lindos que assisti. Já a minha paixoneta platônica ficou por conta de Garrett (Jack Nicholson), hehehe

Um abraço,

Neli

De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:30
Preclara Neli

Faça como eu, feche os olhos nas cenas crueis e sanguinolentas (que, afinal de tudo, não são muitas), mas faça o favor de ir ver o "Sacanas sem lei".

É uma fita tão fabulosa que eu nunca mais me perdoaria se soubesse que a preclara Neli a deixou de ver por minha causa.

Veio agora à minha cabeça uma das cenas mais poderosas da história do cinema: a Melanie Laurent, de vestido vermelho, a olhar pela janela, lá fora um pendão vertical, também vermelho, com a suástica a esvoaçar, e ela com o ar pensativo e determinado a preparar-se para pegar fogo ao cinema - e tudo isto ao som do Cat People de David Bowie. Sublime!

A bem da Nação!

PS. Toda a razão. O Jack Nicholson é espectacular !
De eppursimuove a 18 de Setembro de 2009 às 21:27
Grande Jorge, fui ver o filme duas vezes ao cinema. Confesso que da primeira vez fiquei um pouco impressionado. Mas fiquei impressionado sobretudo com a mestria da escrita do Tarantino. Este filme é a sua obra-prima. Hans Landa é uma personagem enorme e Waltz o único que lhe podia dar vida. Tanto mais que Tarantino equacionava já deixar o filme na gaveta pois, após dezenas de audições a actores alemães, ainda não havia encontrado alguém que assegurasse a verdadeira dimensão do personagem.

Abraço!
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:36
Preclaro Eppursimuove

Subscrevo tudo quanto escreveu. Curiosamente ontem mesmo pensei que devia ir ver outra vez o filme. O desempenho de Waltz é de 20 valores. Irrepreensivel. Os diálogos protagonizados pelo coronel Hans Lada entram directamente para a história da Sétima Arte! Penso eu de que...

Mas não posso deixar de referir a Melanie Laurent, cuja assustadora beleza até nos faz esquecer a outra magnifica personagem feminina, Diane Kruger, no papel da estrela de cinema Bridget von Hammersmark.

A bem da Nação!
De Mónica Baptista a 18 de Setembro de 2009 às 21:28
Já eu devo ser uma mulher-homem a sério porque as cenas não me provocaram qualquer reacção, mas também pelo facto de saber que é cinema...
Já o Terms of Edearment comoveu-me, apelou à minha sensibilidade, criei mais empatia com a história. Mas tudo se resume ao facto de ser cinema, sei que se vir as mesmas imagens nas notícias ou até mesmo as presenciar, a reacção é diferente.
De Jorge Fiel a 19 de Setembro de 2009 às 08:40
Preclara Mónica Baptista

O cinema é ficção e é superlativo quando, apesar disso, nos consegue arrebatar, meter-nos lá dentro para viver a história como se fosse real, e despertar em nós emoções tão fortes e cruas como a alegria e a tristeza.

Quando eu choro ou fecho os olhos é sinal que a droga (cinema) funciona.

A bem da Nação!
De css a 24 de Setembro de 2009 às 11:36
Meu caro,

eu própria, ontem e no mesmo local tive a mesmas reacções (é mesmo super-mega-hiper-rifixe!) e parece-me que deveria (por empatia ou solidariedade para com um membro do sexo fraco) fazer um (ou mais) pequeno comentário.

Primeiro (afinal vai ser mais que um) dizer-lhe que gosto imenso de alguns dos seus post.

Segundo, como membro do sexo forte, a quem cabe classificar membros do sexo fraco, informo-o (por solidaridade) que a máxima a que se referiu, foi feita por homens para afastar a concorrência e não funciona com o sexo feminino (Claro está que a sua orientação poderá, nesta data, tornar o comentário útil ou perfeitamente inútil).

Passo a explicar. Os membros do sexo feminino apreciam um homem que reconhecem a primazia de filmes como "Laços de Ternura" e que se sentem enojados com as cenas brutais de Tarentino. Se chorarem...ainda melhor.

Mas... na hora da verdade...é bom que não tenham qualquer repulsa em matar o rato que se pavoneia pela cozinha!
De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2009 às 15:21
Preclara CCS

Obrigado pela visita. Volte sempre. Mi casa es sua casa.

Só tenho uma casa (vá lá uma e meia, se contar com a Bússola) mas há quem tenha vitalidade para manter três casas - nesse particular invejo a minha preclara amiga :-)

Eu considero-me pragmático e se for necessário mato o rato. Aliás, apesar deles serem primos dos esquilos, que são muito riquinhos, não gosto nada de ratos - nem no sentido figurado nem no literal.

Mas prefiro sempre uma cozinha sem ratos a uma cozinha com ratos.

Não poupe no Ratak!

A bem da Nação!
De Jorge Fiel a 29 de Setembro de 2009 às 15:21
Preclara CCS

Ah, e já me esqueci de dizer, também sou muito bom a mudar lâmpadas :-)

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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