Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Sete coisas que aprendi sobre Gustave Eiffel

Estivemos uma boa meia hora à espera na fila, mas não nos queixamos. Valeu a pena - apesar de estarmos com a barriga vazia.

Como a entrada era gratuita, e a Mairie de Paris gosta de assegurar que as pessoas têm espaço para saborear as mostras que promove, havia bicha para entrar na exposição Gustave Eiffel, le magicien du fer, patente até amanhã no Hotel de Ville.

Feitas as malas (e arrumadas num cacifo do Ibis Bastille), iniciamos o nosso último dia em Paris com uma viagem a bordo do autocarro da linha 69 até ao Hotel de Ville, animados pelo firme objectivo de ficarmos a saber mais sobre Eiffel, numa exposição que começava por ser atractiva logo no titulo (le magicien du fer) e acabou por se revelar sexy em tudo.

Fiquei a saber uma data de coisas novas, algumas das quais passo a inventariar despreocupadamente em beneficio dos leitores desprevenidos que por razões que, estou certo, lamentarão para todo o sempre, acabaram por dar uma olhada a este blogue:

1.     Ao contrário do que eu pensava anteriormente, a mostarda não é a maior criação de Dijon, título que deverá pertencer a Gustave Eiffel, aí nascido a 15 de Dezembro de 1832;

 

2.    A elegantérrima ponte Maria Pia pode muito bem ser a segunda obra mais importante de Eiffel. Além dos planos, fotografias e textos sobre a sua construção ocuparem parte importante da exposição, é afirmado, preto no branco, que o engenheiro alcançou a notoriedade internacional com a ponte ferroviária do Porto (1876);

 

3.    A estrutura metálica interna da Estátua da Liberdade é da autoria de Eiffel;

 

4.    Barcelona, sede da Exposição Universal de 1888, recusou o projecto de Eiffel de construir na Catalunha a torre que viria a tornar-se o ícone de Paris;

 

5.    A inteligência parisiense da época, capitaneada por Guy de Maupassant, lançou um violento manifesto contra a Tour Eiffel, preconizando a sua demolição. O pelotão dos críticos integrava ainda gente como Alexandre Dumas, Charles Gounod e Charles Garnier;

 

6.     Gustave Eiffel esteve directamente envolvido no escândalo da falência da sociedade construtora do canal do Panamá,  ao ponto do Governo francês ter decidir retirar-lhe a Legião de Honra;

 

7.     No final da vida, o audacioso Eiffel propôs-se construir um túnel ferroviário subaquático no canal de Mancha, ligando a França a Inglaterra. O túnel não seria subterrâneo, antes repousaria sobre o leito do canal. Os planos e cálculos detalhados deste projecto integram a exposição. Esta ideia arrojada não saiu do papel, por que ele não conseguiu convencer investidores e governos de que o material aguentaria a pressão e o desgaste provocados pelas águas.

publicado por Jorge Fiel às 18:08
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4 comentários:
De Tibetana a 28 de Agosto de 2009 às 16:28
Como leitora, não tão assídua, mas... concordo que estas férias foram calmas, se compararmos a sua estadia nos EUA, e mesmo em Polónia...afinal, pequenos calos croqs!
esquecimento do cartão de crédito.... e moluscos passados na validade!
De Jorge Fiel a 1 de Setembro de 2009 às 11:53
Preclara Tibetana

Uma férias tão calmas como as águas do Sena. Tem razão!

A bem da Nação!
De Vítor Vieira Alves a 31 de Agosto de 2009 às 21:32
Viva.
Estive, conjuntamente com a família (mulher, filha e sogro) em Paris durante o mesmo período.
Ler as suas entusiásticas reportagens tem o condão de nos activar as gostosas recordações desta extraordinária cidade e, em reflexo, o desconsolo de não termos visitado esta exposição.
Obrigado pelas excelentes reportagens.
De Jorge Fiel a 1 de Setembro de 2009 às 11:55
Preclaro Vítor Vieira Alves

Saber que o ajudo a ter boas recordações é a melhor paga que posso ter pelo tempo que invisto em escrever estas minhas notas de viagem. Obrigado.

A bem da Nação!

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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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