Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

Fui almoçar ao Luca com a Ana Marques e ela ofereceu-me uns óculos escuros Ana Salazar dentro de uma

 

Não tenho segredos para vocês. Ontem, 2º feira, fui almoçar ao Luca com a Ana Marques. Mas, se calhar, para toda a gente perceber de que é que eu estou a falar, o melhor é fazer um resumo do episódio anterior.

 

No passado dia 10 editei aqui na Roupa para Lavar um artigo em que defendi a tese de que deixou de haver mulheres feias desde que os óculos escuros XXL entraram na moda. E ilustrei post e teoria com a reprodução da capa e um fotogarfia do interior da última edição da GQ, onde a vedeta da Sic Notícias se mostra ao Mundo em todo o seu esplendor.

 

O «post» dos óculos escuros XXL foi um estrondoso sucesso. O recorde absoluto de visitas da curta mas já gloriosa história da Roupa para Lavar.

 

Mas eu não sou cego ao ponto de não perceber que a esta afluência não são estranhas as fotos da Ana Marques que documentam a firmeza e claro recorte de todas as planícies e colinas, rectas e curvas, do seu corpinho, cuja idada acaba de a habilitar a candidatar-se à presidência da República - na esteira de Hillary e Segolene.

 

A Ana leu o «post»  e agiu com a elevada classe a que nos tem vindo a habituar. Enviou-me um mail, convidando-me a almoçar ou jantar. Tema da refeição: a sua colecção de óculos escuros.

 

Fiquei sem saber onde meter as mãos. Não estava à espera que ela lesse o «post» - e muito menos que reagisse com tanta serenidade e «fair play». Para quem não o leu, sinto-me na obrigação de informar ter escrito que a minha primeira impressão foi de que ela era uma espécie de Catarina Furtado dos pobres. E atrevi-me a questionar a beleza do seu rosto.

 

Claro que aceitei a sugestão de almoçar com a Ana. Pus apenas a condição de que fosse eu a convidar. Ao fim e ao cabo fui eu quem desencadeou o episódio que originava o encontro. E disse-lhe que levaria os meus óculos escuros azuis que ganhei numa fantástica promoção de Verão da Fanta - três garrafas pelo preço de duas mais os óculos, de borla.

 

O almoço ficou aprazado para 2ª feira, dia 22, às 12h30, no Luca, na rua de Santa Marta (Lisboa), por sugestão minha. Na véspera, a Ana confirmou, por SMS, a sua presença, «fizesse chuva ou fizesse sol» (cito).

 

Esta frase constitui o primeiro de dois sinais, que ainda não sei se deverei interpretar como divinos. Nos cinco minutos anteriores às 12h30 de ontem, choveu e fez sol, o que me fez recordar  que o primeiro trabalho da Ana na Sic foi como apresentadora do Boletim Metereológico. Desses tempos, pensei, deve ter ficado com um bom relacionamento com o S. Pedro.

 

O segundo sinal ocorreu às 12h30 em ponto, quando abriu o Luca (eu cheguei antes da hora) e a primeira cliente a entrar foi um alegada beldade com uns óculos escuros XXXL.

 

A Ana chegou com o ligeiro e chique atraso de quatro minutos, envergando uns discretos óculos castanhos Ray Ban, à aviador. E fez logo o primeiro trocadilho. Que usava sempre óculos escuros, mesmo no Inverno, porque sofria de fotofobia, acrescentando que isso não significava alergia a que lhe tirassem fotos, como tinha ficado demonstrado na memorável produção fotográfica da GQ. 

 

Ainda mal nos tinhamos sentado e ela continuou a surpreender-me tirando, sabe-se lá de onde, uma garrafa de Fanta vazia com os óculos de escuro metidos lá dentro. Um presente para mim!

 

Como fiquei sem palavras (e as pessoas que me conhecem sabem perfeitamente quão raro é isso), a Ana foi ocupando o espaço aéreo com legendas.

 

Que a inspiração tinham sido os barcos dentro das garrafas (só quando ele me disse isso é que eu dimensionei que os óculos não podiam ter sido introduzidos pelo fino gargalo).

 

Que os óculos eram Ana Salazar.

 

Que ela não bebe Fanta pelo que tinha comprado a garrafa de propósito e despejou o conteudo pela pia abaixo.

 

Que o método usado para meter os óculos lá dentro tinha sido simples: descolou o rótulo cuidadosamente, fez um corte horizontal na garrafa, meteu os óculos lá dentro e voltou a colar o rótulo, de forma a prender as duas partes em que a garrafa tinha ficado separada.

 

Quando o silêncio foi restabelecido por um instante, a melhor saída que arranjei foi: «E que tal se escolhessemos?!». Eu ainda estava abrir a lista e a Ana já se tinha decidido pelo Franguinho no Forno com Ervas Aromáticas. Decidi aderir à escolha dela, optando por marcar a diferença nas bebidas. Ela pediu água do Luso, natural. Eu fui para a água do Castelo, fresca - e aceitei a sugestão da empregada de adicionar ao copo uma rodela de limão.

 

Nessa altura desembarcou um prato de Franguinho na mesa ao lado. Bem, chegados a este ponto temos de dizer que o Luca é um restaurante magnífico, bela comida, serviço eficiente, ambiente extraordinário, mas não o escolheria para pedir alguém em casamento, para não correr o risco de o pessoal da mesa ao lado se por a dar opiniões sobre o assunto.

 

Conheço dezenas de restaurantes onde os amigos sentados ao meu lado ficam mais longe de mim do que o pessoal da mesa ao lado no Luca..

 

Chamei a atenção da Ana para o porte do franguinho. Ficou horrorizada. Chamou a empregada e alterou o pedido (tomem nota do pormenor!) sem consultar a lista.

 

Mudou para o Spaghettini Treviso, com tomate cherry, radicchio, alho, salsa, piri-piri, bacon e azeite virgem. Pediu para não abusarem do azeite (ela adora azeite, mas problemas de estomago obrigam-na a consumi-lo com parcimónia) e que fossem generosos na cobertura com parmesão ralado.   

 

Esmagado por tanta desenvoltura, e na vã tentativa de ganhar algum ânimo para o resto da refeição (eu olhava para a Ana e só me lembrava daquele anúncio do BES sobre o Rei dos Matrecos e sentia-me goleado por 10-0) encomendei um copo de tinto (Dão Cabriz).

 

Gostei muito de me encontrar com a Ana Marques.

 

Achei soberba a ideia de me dar uns óculos escuros Ana Salazar dentro de uma garrafa de Fanta vazia (assunto a que estou em crer voltarei em breve). Só tive pena de não ter arranjado coragem para lhe pedir que autografasse, com uma dedicatória para os leitores da Roupa para Lavar, uma fotografia da história produção da GQ.

 

PS. Como este «post» é pantagruelicamente longo, achei por bem tentar aligeirá-lo ao incluir novas imagens da monumental produção da GQ com a Ana Marques.

publicado por Jorge Fiel às 21:01
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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