Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Mal vai o Mundo quando é mais lucrativo vender sapatos impermeáveis do que belos croissants

Alguma coisa de muito estranha se está a passar no Mundo quando a minha loja favorita da cadeia Paul, na esquina onde a rue de Rivoli se encontra com a Renard, desapareceu para dar lugar a uma loja Geox.

Desde já esclareço que nada me move contra a Geox, marca que muito prezo, ao ponto de já ter comprado, por mais de um vez, sapatos desta marca para os meus filhos, cujos (os sapatos, não os meus filhos) deram conta do recado e se mostraram à altura do dinheiro que investido neles- e que só Deus sabe quanto ele me custa a ganhar.

Mais acrescento que a loja da Geox até tinha um excelente aspecto e permitiu-me confirmar que os preços em Paris estão em linha com os praticados em Portugal e aprender que a marca também comercializa roupa que à primeira vista me pareceu bastante cool.

Mas senti muito a falta daquela padaria Paul, ampla, com mesas, onde se podia fazer uma refeição barata e saborosa antes ou depois da peregrinação obrigatória ao Pompidou (onde está uma exposição  do Kandinsky que falhamos).

Para compensar a falta do Paul do Hotel de Ville, fizemos um almoço tardio (sanduíche de presunto e Coca Light, por sete euros) no primeiro andar do Paul de Ternes, após terminada a experiência Fnac.

No dia seguinte, no Charles De Gaulle, por uma razão qualquer que persiste em me escapar, acabei por não cumprir a tradição de me abastecer no Paul do aeroporto de croissants, pain au raisin e au chocolat, chausson de pommes, pão com bocadinhos de toucinho e pão com azeitona, por forma a tornar mais suave nos dias seguintes o desmame parisiense.

Fica aqui, no entanto, uma reflexão final, que se eu tivesse tempo e talento (não sei bem qual deles me escasseia mais) poderia transformar numa encíclica: Mal vai o Mundo quando é mais lucrativo vender sapatos impermeáveis do que croissants deliciosos.

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publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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