Domingo, 21 de Janeiro de 2007

Pingo escuro, adultério, gases, Beethoven, Elsa Raposo, porcos, onanismo e outras histórias

 

É uma estreia. O «Sunday Post» (SP) é igual ao Expresso, no sentido em que é um semanário.

 

É igual ao Destak, no sentido em que é gratuito.

 

É igual a um blogue porque fala da vida como ela é.

 

Este é o número zero.

 

A sua manutenção regular (ou seja a sua publicação dominical, daqui em diante) está apenas dependente de apenas três bondades: 

 

1. A vossa em visitá-lo;

 

2. A da administração do Expresso em pagar as despesas de comunicações. Já deixaram de me pagar a conta do telemóvel e vão-me descontar o que gastei desde Junho no salário deste mês. Se não me pagarem o que fica para lá dos 29,90 euros (o custo mensal do uso placa 3G da Vofafone que sou eu a pagar!)  quando estou fora do país deixo de brincar com isto;

 

3. A de Deus (vamos lá ser religiosos uma vez, sem exemplo), em manter-me vivo.

 

Tabasco, sempre!

 

A comitiva  portuguesa na India deu-se mal com o picante. O presidente emagreceu entre três a cinco quilos (não precisava...) segundo as diferentes versões, porque passou a semana a comer apenas arroz - dieta que também foi observado pela Primeira Dama. Boa parte dos que experimentaram o picante foram acometidos por problemas instestinais e de tensão arterial, sendo obrigados a recorrer aos bons ofícios de Daniel de Mattos (assim mesmo, com dois tt, não é gralha), o médico particular de Cavaco Silva. Eu dou-me muito bem com o picante. Não hesito em encomendar Chicken Jalfrezi sempre que vou ao Real Indiana, do Cais de Gaia. E sou viciado em Tabasco, qua administro sem parcimónia em pratos tão variados como rosbife, lombo de porco assado no forno e arroz de marisco ou de polvo.

 

 

Saia um pingo escuro para a Procuradora!

 

A chegada, ao campo do Desportivo das Aves, de Pinto da Costa, acompanhado pelo empresário Araújo e por duas brasileiras bem apessoadas, foi saudada com entusiasmo pela rapaziada que estava nas bancadas.

 

«Olha o presidente com o Araújo e a fruta!» foi a saudação que sublinhou a entrada de Jorge Nuno no recinto onde o FC Porto carimbou segunda feira o final da primeira volta da Liga, que concluiu com sete pontos de vantagem sobre o Sporting e oito sobre o Benfica. 

 

A propósito, não posso deixar de endereçar os meus mais sinceros parabéns a Maria José Morgado, que já começa a apresentar trabalho. Sem recorrer ao Houaiss, já desvendou um enigma que estava fora do alcance menos brilhantes. descodificando o verdadeiro significado das expressões «fruta», e «café com leite» nas conversas telefónicas escutadas no âmbito do Apito Dourado. Uma cabeça! Saia um pingo escuro para a Procuradora!

 

 

O adultério, segundo Monica Ali

 

«O adultério do olho é o olhar, o adultério dos ouvidos é escutar conversas voluptuosas, o adultério da lingua é o discurso licencioso, o adultério da mão é bater diariamente nos outros, e o adultério dos pés é caminhar para o lugar onde se pretende cometer pecados»

Sete Mares e Treze Rios, Monica Ali, pag 268

 

Um dos dez melhores livros que li em 2006 foi «Brick Lane», a obra de estreia de Monica Ali, que ganhou o mais descritivo titulo «Sete Mares e Treze Rios» na sua versão portuguesa.

 

Não só li o «Brick Lane» como também me demorei em Brick Lane, nos primeiros dias de Junho, quando fiz um «stop over» em Londres no regresso de uma viagem de trabalho à Escóciia. Brick Lane e Commercial Street são as principais ruas do East End, a zona de Londres que mais está a mexer, onde convivem harmoniosamente (pelo menos aparentemente) os recém chegados «yuppies» da City e os já há estabelecidos emigrantes do Bangla Desh.

 

O dinheiro que Monica, que tem sangue britânico e bengali, ganhou com «Brick Lane» permitiu-lhe comprar um monte no Alentejo, que lhe inspirou a segundo livro, Alentejo Blue, inspirado na aldeia de São Luís, em Odemira, que vai ser lançado proximamente no nosso mercado. A última edição da Visão (18 Janeiro 07) dedica-lhe seis páginas (págs 94-100).

 

 

Não, não sou o único!

 

«O Estado é como os gases. Quanto mais espaço se lhe dá, mais espaço ele ocupa»

João César das Neves

 

Ganhei a fama de ser amigo da «miúda da bilha» porque publiquei duas notícias sobre o assunto, ambas em primeira mão, no caderno de Economia do Expresso.

 

Mais recentemente, um «post» neste blogue sobre a necessidade de educação do flato, a que se seguiu uma reflexão sobre a (boa) iniciativa da Renova de lançar papel higiénico preto, acrescentou-me a fama de ter uma especial queda por temas escatológicos.

 

 Afinal não estou sozinho. César das Neves, católico fundamentalista, figura de proa do Não, também ousa falar dos gases.

 

 

Quem manda a ti sapateiro tocar rabecão ?

 

O 24 Horas foi a última coisa nova e diferente que surgiu na imprensa portuguesa nos últimos 15 anos.

 

Equipado com uma agenda própria e uma Redacção pequena mas aguerrida e bem dirigida, tornou-se um belo caso de sucesso, com as vendas a subirem em flecha, ultrapassando as do Público e Diário de Notícias.

 

Subitamente, no ano passado, as vendas emperraram, acusando até uma queda, e os resultados passaram a ser escritos a vermelho. A pior performance do grupo Global Noticias (ex-Lusomundo, dirigido por Joaquim Oliveira, de que fazem parte dos dários DN, JN, 24 Horas e Jogo, os canais de televisão SporTv e a estação de rádio (TSF) em 2006 foi da sua jovem vedeta, o 24 Horas, que perdeu quatro milhões de euros no último exercício, mais do dobro dos 1,8 milhões de euros de prejuízo registado pelo DN, a outra ovelha negra do grupo (os demais títulos, divisão de imprensa regional incluida, deram dinheiro, compondo os quase dez milhões de euros de lucro do grupo.

 

O porquê do prejuízo? O engordar excessivo da Redacção do  24 Horas na vã e romântica tentativa de combater o Correio da Manhã, provavelmente o mais bem dirigido titulo da Imprensa portuguesa.

 

 

Beethoven para porcos

 

Por falar em temas escatológicos, Nguyen Chi Cong, um criador vietnamita de porcos, acaba de fazer a fantástica descoberta de que os porcos engordam mais depressa quando ouvem música clássica.

 

Cong submete o seu efectivo de três mil porcos a audições intensivas de sonatas e sinfonias de Mozart, Schubert e Beethoven (das 7h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00) e está satisfeitíssimo com os resultados. «Os porcos começaram a comer mais e a ganhar peso mais depressa do que era habitual», conta Cong.

 

Entre nós, há também novidades no campo da suinicultura, mas mais a jusante, na área ambiental, os ministérios do Ambiente e da Agricultura ameaçam apresentar no próximo mês de Fevereiro uma estratégia nacional para o tratamentos dos «efluentes da agro-pecuária e da agro-indústria» - dito por outras palavras, para tratar os esgotos das suiniculturas e das vacarias 

 

 

Perez Metelo influencia Elsa Raposo

 

Elsa Raposo está grávida. A boa nova é confirmada na capa da Caras desta semana. Presumo que a ex-apresentadora foi muito influenciada pelo artigo publicado no DN pelo António Perez Metelo, em que

este incontornável analista económico garante que sem mais 50 mil nascimentos por ano o nosso país está condenado ao declínio. Elsa partilha connosco a felicidade de sentir vida  a crescer dentro dela. Nós já desconfiávamos disso. Que ela gostava de sentir coisas a crescer dentro dela.

 

 

As irmãs carrilhonistas e o humor na Sic

 

Enquanto escrevo este Sunday Post, tenho a televisão sintonizada na Sic. São 21h10 de sábado, dia 20. O Jornal da Noite começou às 20h00. Está a passar uma brilhante e looooooooooooooooooooonga peça sobre duas  irmãs carrilhonistas, que já está a fazer corar de inveja os rapazes do Gato Fedorento. Vendo e ouvindo este trabalho percebe-se perfeitamente porque é que Ricardo Araújo Pereira & Cia foram dispensados de Carnaxide. Não eram precisos. No capítulo do humor, há lá melhor -  muito melhor.

 

 

Pinto da Costa abandona onanismo

 

A Nova Gente dá-nos uma boa noticia. O presidente do FC Porto já não precisa de recorrer ao onanismo. A composição do titulo é magistral: «Carolina tem substituta!  Pinto da Costa já vive com uma brasileira/conheceu-a noutro bar apaixonou-se por ele e foi buscá-la a Forteleza».

 

No interior ficamos a saber que o irrequieto Jorge Nuno conheceu a substituta de Carolina na Taberna do Infante, o bar da turística e atractiva zona Ribeira do seu colega na administração da SAD do FC Porto, Reinaldo Teles, que tem muito melhor reputação que o Calor da Noite, situado na degradada rua de Costa Cabral.

 

Mas a nova namorada do presidente do FC Porto, que aos 69 anos está a estabelecer uma fama de ser ainda mais tarado sexual que o Cristiano Ronaldo e a Elsa Raposo, não é uma alternadeira, ao contrário do que o local onde se conheceram possa sugerir.

 

Não, a nova namorada de Pinto da Costa é uma mulher de negócios e tem bom coração. «Ela é empresária, possui negócios em Fortaleza», diz uma fonte da Nova Gente, acrescentando que com a publicação do «Eu, Carolina», «o Jorge ficou fragilizado e foi ela quem o ajudou a dar a volta por cima.

 

Talvez por isso a tenha convidado a ir viver com ele no início do ano». Os pombinhos vão viver para Miramar, para uma vivenda geminada com a que que vai ser ocupada pelo meu preclaro amigo Juca Magalhães.

 

Fico feliz por o presidente do meu clube andar sexualmente satisfeito. Só há um pequeno problema. Os meus amigos temem que a nova namorada brasileira seja um «pé frio» o primeiro jogo do FC Porto a que ela assistiu na tribuna de honra do Dragão foi ao FC Porto-Atlético...

 

 

Não tenham medo das palavras

 

Os meus amigos e colegas que tão superiormente dirigem o Expresso têm medo das palavras.

 

Senão olhem para a primeira página da última edição. A Operação Furacão (que está em risco de ruir e também faz a manchete do Público de ontem, que prefere chamar a atenção para o facto de já haver 100 arguidos) aparece timidamente envolta entre duas aspas solitárias.

 

E logo ali ao lado, o uso do verbo tramar, no caso da acção de Carolina em relação ao seu ex-amante, envergonhou-os de tal modo, que optaram por o disfarçar com aspas. Está mal.

Vamos ao douto Houaiss e lá está o verbo tramar, é legal, não é clandestino nem um palavrão. Abaixo as aspas! Não devemos ter medo das palavras. É mau. Começa-se por aí, e depois, é um arzinho que se lhe dá, e ficamos com medo das frases, dos parágrafos, das notícias...

 

 

Exposições: eu faço parte do «mainstream»

 

Fui um dos 100.117 visitantes da exposição do Amadeo na Fundação Calouste Gulbenkian, a quarta exposição mais visitada de sempre no nosso país.

 

O pódio é exclusivo do Museu de Serralves: Paula Rego ( 157.087 visitantes em 2004), In the Rough: Imagens da Natureza Através dos Tempos na Colecção Bojmans (138 mil, 2001) e Francis Bacon  (101 mil, 2003).

 

Andy Warhol (75 mil, 2000)  foi ultrapassado e passou para o quinto lugar ocupado. Eu via-as todas, dondo concluo, satisfeiro, que faço parte do «mainstream», pelo menos neste particular das exposições.

 

 

Vale e Azevedo premiado por penhorar-se a si próprio e lagaros totós

 

O já prestigiado Prémio Excelência Roupa para Lavar desta semana (que dá direito a um fim de semana para um casal numa das Pousadas de Portugal, contanto que seja gozado fora da época alta e nas pousadas mais baratas - nas caras vão sempre dizer-lhe que este fim-de-semana não pode ser porque estão completamente cheios) vai para Vale e Azevedo pela genial ideia de conseguir penhorar-se a si próprio, pondo assim os seus bens ao fresco - a  salvo da cobiça dos credores.

 

A totalidade dos adeptos do Sporting é nomeada para Prémio Totós Roupa para Lavar 2006/7 por não terem comido e calado quando souberam que afinal o João Pinto não foi contratado a custo zero e que o clube mais sério e honesto deste país alinhou numa sórdida manobra de fuga ao fisco, mancomunado com José Veiga e o «menino de oiro».

publicado por Jorge Fiel às 20:46
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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